Por uma Europa que tenha “um novo projeto de esperança”
Artigo de Opinião de Isabel Estrada Carvalhais, Deputada ao Parlamento Europeu
Cos três maiores grupos políticos do Parlamento Europeu (o Partido Popular Europeu, o Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas em que se integra o Partido Socialista português e o Grupo Renew Europe) acordaram sobre as 10 prioridades que deverão orientar a agenda política do Parlamento nos próximos dois anos e meio. Nessas 10 prioridades, que sintetizam aquela que deverá ser a visão do Parlamento Europeu sobre a Europa e a relação desta com o mundo, está presente de forma muito evidente a agenda progressista. Seja no que toca em matéria de medidas que suportam a concretização do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, seja no que se refere ao combate à crise climática, seja ainda no que se refere à transição verde e à transição digital que deverão ocorrer na sociedade, em particular nos diversos setores da economia, garantindo que nos seus processos ninguém fica para trás.
Os três maiores grupos políticos reconhecem que o aquecimento global, a perda de biodiversidade, e a poluição são ameaças existenciais. E nesse sentido mantém-se o compromisso de garantir que somos o primeiro continente climaticamente neutro, acompanhado de um fundo climático social que garanta que a transição para modelos de desenvolvimento ambientalmente mais sustentáveis e resilientes é um trapézio com rede na resposta aos desafios ambientais e aos desafios climáticos.
A União Europeia deve estar também na vanguarda da transição digital, fazendo com que a liderança que tem demonstrado na regulação do mundo digital seja acompanhada de mais inovação tecnológica e de maior estímulo ao empreendedorismo.
O documento destaca ainda a necessidade e urgência de uma União Europeia da Saúde, onde é reforçada a ideia de maior cooperação e resiliência entre os estados-membros, e onde o desenvolvimento da capacidade de antecipação de respostas é imperativo - algo que a pandemia de COVID-19 veio exigir. Para isso, é importante trabalhar no sentido de que a nova Autoridade Europeia de Resposta e Preparação de Emergência em Saúde (HERA) garanta mais e melhores soluções a ameaças de saúde transfronteiriças.
No Parlamento Europeu, estarei firmemente empenhada em fazer cumprir as iniciativas políticas e legislativas que concretizem estas prioridades, nomeadamente no pilar dos direitos sociais, na vigilância dos valores centrais da dignidade humana, na defesa de mais solidariedade e maior respeito pelos direitos humanos dos migrantes e dos refugiados.
Num dos seus últimos discursos, a 16 de dezembro de 2021, perante o Conselho Europeu, David Maria Sassoli partilhou o seu desejo de que esta seja “uma Europa que inova, que protege, que orienta e ilumina como um farol”. Partilho na íntegra desta sua visão, imbuída para mais de uma sincera e profunda intencionalidade humanista que sempre acompanhou o seu pensamento político. Sassoli tinha razão: a Europa precisa de um novo projeto de Esperança. A concretização dessa esperança traz consigo a responsabilidade das nossas ações e é nesse sentido que considero as prioridades acordadas como cruciais para que a Europa tenha um novo projeto de esperança, e seja toda ela um farol de esperança. O termo ‘farol’ é aqui usado sem nenhuma pretensão etnocêntrica quanto à posição da Europa no mundo, mas simplesmente no sentido de uma Europa que saiba ter sempre a coragem de querer liderar pelos bons exemplos, que se destaque sempre na condenação dos autoritarismos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, na proteção dos mais vulneráveis, e na reconciliação da ação humana com a natureza.