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Os 50 Anos das CCDR

Os 50 Anos das CCDR

Artigo de Opinão de Luís Braga da Cruz, Engenheiro Civil

As "preocupações pelos problemas institucionais de planeamento regional", no âmbito da execução do III Plano de Fomento, levaram à instituição das Comissões de Planeamento Regional, pelo DL 48.905, publicado justamente há 50 anos, em 11 de Março de 1969. Ao longo deste meio século a designações destas comissões foi mudando e as suas atribuições também. Começaram por ser órgãos consultivos para: coordenar a expressão dos representantes da região; colaborar na preparação dos planos de desenvolvimento; e promover a coordenação dos meios para a acção regional. Depois, houve ajustamentos. Em 1979, passaram a Comissões de Planeamento Regional, uma por cada uma das cinco regiões-plano, sendo as suas competências alargadas com o apoio técnico ao Poder Local. Em 1986, saíram da órbita da Administração Interna para serem os órgãos desconcentrados do Ministério do Plano e da Administração do Território, integrando as valências de Ambiente e Recursos Naturais, bem como de Ordenamento do Território. Assumiram também responsabilidades na gestão do FEDER para o desenvolvimento regional. Finalmente em 2003, a designação alterou-se para as actuais CCDR. Esta efeméride foi celebrada há dias numa cerimónia evocativa em que se juntaram muitos dos que passaram pela CCRN e a ela dedicaram o seu esforço, quer nela trabalhando, quer por com ela terem interagido.
Recordo-me de ter presidido à comemoração do 20.º aniversário da CCRN, há 30 anos. Na altura convidei o escultor José Rodrigues para conceber uma medalha, em bronze. No entanto, o artista quis ter uma conversa prévia para compreender melhor o que é que afinal a CCRN tinha feito nesses primeiros 20 anos. Procurei explicá-lo pacientemente, mas notei nele alguma impaciência, que o levou a disparar bruscamente: -"Tudo bem, mas resuma-me isso de forma simbólica para eu poder gravar no metal!" Escolhi os "3 D - Desenvolvimento, Descentralização e Democracia" e justifiquei-me.
De facto, a CCRN sempre foi o mais importante agente do Desenvolvimento da região. Foi laboratório de políticas públicas de território para problemas específicos, cujos acrónimos ainda hoje são conhecidos: PDRITM, OID do Vale do Ave, PIDR do Alto Minho, o PRODOURO, a AIBT do Vale do Sousa, o PROZED, etc. Acreditámos que a regionalização seria a Descentralização para um nível territorial mais estratégico como: forma de criar mais racionalidade económica; factor de modernização e de progresso; meio de alcançar maior equidade e oportunidade entre portugueses; um veículo para o reforço da diversidade identitária nacional. Independentemente da regionalização não se ter concretizado, a CCRN ajudou de facto a preparar um Estado mais descentralizado. Mas também contribuiu para o prestígio e o reforço da actuação das autarquias municipais. Desta forma ajudou à consolidação da Democracia em Portugal, regime que tem de ser fonte de inestimável progresso, coesão e justiça social.
Infelizmente o centralismo não tem contribuído para alcançar estes desígnios constitucionais. Valerá a pena manter ainda essa expectativa?