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Juntos (e juntas) por uma Europa mais justa!

Juntos (e juntas) por uma Europa mais justa!

Artigo de Opinão de Sofia Colares Alves, Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

A igualdade de género e o respeito pelos direitos das mulheres são princípios fundamentais que a União Europeia (UE) sempre fez questão de promover. Desde cedo que as instituições europeias compreenderam a necessidade de abrir oportunidades às mulheres onde estas ainda estavam muito fechadas – na política. Esta foi, felizmente, uma prática que muitos países da UE também adotaram.
Foram muitos os avanços nesta área nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho a trilhar para atingirmos a plena igualdade. Até lá, eu acredito que é essencial valorizar o trabalho que é desenvolvido pelas mulheres no seio das nossas sociedades. É também indispensável ver- mos, cada vez mais, mulheres em posições de relevo e a ocupar lugares com uma maior visibilidade. Aqui, não tenho dúvidas: o exemplo tem de vir de cima.
Agrada-me que a UE esteja a contribuir positivamente para essas mudanças: é inegável que há, na história da Europa, um conjunto de mulheres inspiradoras que nos marcaram pela competência com que fizeram o seu trabalho. Graças às suas estórias, as mulheres de hoje têm vários exemplos inspiradores que podem usar como incentivo para o seu futuro. Vejamos dois deles:
Simone Veil foi uma advogada e política francesa. Sobrevivente de Auschwitz, Veil dedicou uma grande parte da sua vida à luta pelos direitos das mulheres. Em 1979, foi eleita Presidente do Parlamento Europeu – cargo que ocupou até 1982 –, tendo permanecido como eurodeputada até 1993. Durante este período, a marca que deixou, nomeadamente no comité de assuntos políticos e no subcomité de direitos humanos, ainda hoje nos inspira.
Sofia Corradi, uma conhecida jurista italiana, foi quem idealizou o programa Erasmus. Em 1957, enquanto estudava Direito na Sapienza Università di Roma, recebeu uma bolsa de estudo para terminar um Mestrado em Direito Comparativo no estrangeiro. Contudo, de volta a Roma, a sua universidade não reconheceu os estudos que tinha efetuado no estrangeiro, o que a impediu de finalizar o ciclo académico nesse ano. Mas Corradi não desistiu: esse contratempo incentivou-a a dedicar uma grande parte da sua vida para que os estudantes europeus pudessem usufruir de experiências académicas e culturais enriquecedoras no exterior. O resultado? Um programa que já levou quase quatro milhões de jovens a estudar noutro país da UE.
Estas duas mulheres tiveram um papel fundamental na construção europeia. Mais do que isso, o trabalho que desenvolveram nos seus papéis de liderança contribuiu para criar uma mudança positiva no seio das nossas sociedades. Os seus exemplos de profissionalismo e humanismo certamente influenciaram – e vão continuar a influenciar – muitas mulheres a lutar pelos seus sonhos, pelas suas convicções e pelo futuro do projeto europeu.
Não nos devemos esquecer de agradecer os esforços e a dedicação de ambas e o exemplo que nos deixaram até aos dias de hoje. E para mais bons exemplos como estes, é importante também não nos esquecermos da importância de continuarmos a ajudar as mulheres e a impulsioná-las para mudarem as nossas vidas para melhor. Apenas juntos (e juntas), conseguimos uma sociedade e uma Europa mais tolerantes, justas e igualitárias.