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Desporto: O cimento do Eixo Atlântico

Desporto: O cimento do Eixo Atlântico

Artigo de opinião de Guillerme Aguiar, vereador do desporto de Vila Nova de Gaia

Quando em 28 de Setembro de 1992, 12 cidades galegas e do Norte de Portugal constituíram oficialmente uma associação, que denominara de Eixo- Atlântico, com objectivos prioritários de desenvolvimento das políticas urbanas de desenvolvimento sustentável do Norte Peninsular, no âmbito das Infraestruturas, criação de centros de investigação, cooperação entre universidades, empresas e autarquias, reabilitação do património histórico e cultural, entre outros, estavam longe de imaginar que seria o desporto um factor fundamental de união e coesão das actualmente 34 cidades que integram o Eixo, saindo fora das suas barreiras político-administrativas e promovendo a sua existência junto da comunidade.
E, por isso, na reunião do Conselho do Eixo em Outubro de 1995, deliberou-se constituir como prioridade “fomentar a acessibilidade e envolvimento do Eixo com a cidadania mediante a promoção de serviços, tanto de cobertura como de lazer, aumentando assim a sua visibilidade junto das populações”. Para tanto, entre outras medidas, decidiu-se a criação dos Jogos do Eixo, torneio de futebol e volta em bicicleta. E na Assembleia Geral de 14 de Dezembro de 1995, decidiu-se pela criação de 4 Comissões Delegadas: turismo, cultura, educação e bem-estar social e…desporto.
Logo em 1995, entre 20 de Junho e 18 de Julho, realizou-se a primeira edição dos Jogos do Eixo Atlântico. No entanto, o facto de tal evento se realizar em 10 cidades e durante diversos fins de semana, para além de tornar a sua organização muito complexa, teve uma pequeníssima repercussão mediática, levou a que se optasse por uma periodicidade bianual e concentrada numa só cidade.
Foi assim que em 1997 se realizou a II edição dos Jogos em Ferrol e em Julho de 1999 se inaugurou, em Chaves, a III edição, a qual foi inaugurada pelo Primeiro Ministro de Portugal, António Guterres. Esta foi, sem margem para dúvidas, uma clara demonstração por parte do poder político da importância do Desporto na consolidação da Euro Região.
Ainda com 18 cidades, realizaram-se as IV, V e VI edições dos Jogos do Eixo Atlântico nas cidades de Ourense, Bragança e Santiago de Compostela.
Entretanto, em 2007, verificou-se a primeira ampliação de 10 novas cidades, tendo Vila Nova de Gaia sido o palco da VII edição dos Jogos, a primeira que integrou as 28 cidades, aumentando significativamente o número de atletas presentes e, consequentemente, as dificuldades logísticas de organização. A dimensão dos Jogos teve enorme repercussão nos meios de comunicação social, sobretudo portugueses, tendo a cerimónia de abertura sido presidida pelo Secretário de Estado do Desporto de Portugal, Laurentino Dias e a madrinha foi a Campeã Mundial e Olímpica, a portuguesa Rosa Mota.
Em 2008 teve lugar uma entrada de novas cidades, 3 galegas e 3 portuguesas, pelo que a VII edição dos Jogos só poderia realizar-se numa cidade de grandes dimensões e com uma forte disponibilidade de equipamentos desportivos e hoteleiros. Foi na Corunha, que apresentou uma Cerimónia de Abertura que ficou na memória de todos a que a ela assistiram, para além da cobertura televisiva de que foi objecto. A cidade, durante os 6 dias de duração do evento, viu-se confrontada não só com a presença dos 1750 atletas e treinadores presentes, mas também com a dos seus familiares que ali compareceram em grande número para assistirem aos Jogos e passearem pelas locais turísticos, tomarem as suas refeições e pernoitarem nos estabelecimentos hoteleiros da cidade e dos arredores.
O cenário foi igual na VIII edição, realizada em Matosinhos, com a presença de 1518 atletas, da IX edição, realizada em Guimarães, que rompeu a alternância até então existente, pelo facto de nesse ano ser a Cidade Europeia do Desporto, com 1297 atletas, a X edição, realizada simultaneamente, pela primeira vez em 3 cidades, Porto, Gaia e Matosinhos, com 1873 atletas presentes, situação que se repetiu na XI edição que teve lugar em Lugo, Sárria e Monforte de Lemos, com 1644 atletas.
No presente ano, a XII edição vai realizar-se em Braga, com a forte possibilidade de ser batido o record de atletas presentes.
Desde a edição de Vila Nova de Gaia que o desporto adaptado integra o programa competitivo, nas modalidades de atletismo e natação.
Naturalmente que todos os atletas presentes em todas as competições têm como objecto final obter a vitória nas modalidades em que concorrem, recebendo os prémios respectivos. Mas o principal troféu dos Jogos do Eixo Atlântico, aquele que todas as cidades anseiam por ganhar é o Troféu Fair Play ou Jogo Limpo, que é entregue à cidade vencedora na cerimónia de abertura dos Jogos seguintes.
Mas não é só a competição desportiva que é proporcionada a todos os jovens sub-16 que integram cada edição. As cidades organizadoras oferecem, durante aquele período, visitas culturais e passeios pela cidade, pelo que todos que o pretendam, levarão consigo um conhecimento mais profundo da cidade e da região, que os fará desejar regressar novamente.
Para além disso, as refeições são, normalmente tomadas em conjunto, sobretudo o jantar, seguindo-se diversos espectáculos musicais ou de natureza recreativa.
Noutra dimensão bem menor, devem também salientar-se os Torneios organizados, com periocidade anual ou bienal, por diversas cidades e modalidades. São de todos conhecidos o Torneio de Andebol (infelizmente terminado), organizado pela cidade de Lalin, o Torneio de Hóquei em Patins, organizado na Corunha, o de Futebol, por Carballiño e o de Taekwondo, que se realiza em Gaia.
E são vários e muito úteis os Seminários para Troca de Experiências Desportivas que já há vários anos se vão realizando em diversas cidades galegas e portuguesas.
Tudo isto contribui decisivamente para um melhor e maior conhecimento entre todos os jovens, galegos e portugueses, que muitas vezes se prolongam para além dos eventos. Por isso não existem quaisquer dúvidas de que estas manifestações, de natureza desportiva, contribuem mais pela união e coesão social do Eixo-AtLântico, do que os inúmeros projectos e realizações económicas que ao longo destes mais de 25 anos foram sendo executados na Euro Região.
Estou totalmente convicto que, no presente ano, os Jogos do Eixo que irão ter lugar em Braga e os demais torneios consolidarão ainda mais a coesão desta grande euro região.