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A próxima Cimeira Ibérica

A próxima Cimeira Ibérica

Artigo de opinião de José Maria Costa, presidente da Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças e autarca de Viana, sobre a Cimeira Ibérica de Valladolid

A próxima Cimeira Ibérica terá como tema de fundo as relações transfronteiriças e o esforço comum para aproximar as zonas das fronteiras que foram abandonadas. Este é um tema que, enquanto autarca e responsável regional e transfronteiriço, me é caro e um dos motivos pelos quais a euro-região Norte de Portugal / Galiza se tem batido.

A resposta, ou as respostas, para esta questão, passam e passarão sempre pelo aprofundamento das ligações transfronteiriças, sejam elas comerciais, empresariais, logísticas, de conhecimento ou de emprego. Viver numa euro-região é uma oportunidade e um desafio que, diariamente, trazem à colação novos desafios. Centro-me num dos que surgem como a base do desenvolvimento futuro dos dois países: os centros de conhecimento e tecnologia, que consigo poderão e deverão trazer o desenvolvimento a vários níveis da Península Ibérica e resolver alguns dos nossos problemas comuns.

A criação de centros multidisciplinares, assentes no conhecimento e nas competências dos dois países, vão permitir a complementaridade e melhorar a capacidade e a resiliência dos nossos territórios, tornando-os competitivos. Dou o exemplo do cluster automóvel, separado por fronteiras, mas unido pelo desenvolvimento de conhecimento e capacidade tecnológica. Estes centros, que trazem melhorias significativas na cooperação com o tecido empresarial e industrial, a criar nas nossas universidades e nos nossos institutos politécnicos, poderão ser a solução para alguns dos problemas das euro-regiões, já que estas potenciam o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para o crescimento de toda a sociedade e da nossa economia.

O exemplo concreto do emergente cluster automóvel na região norte-galiza, onde um largo conjunto de investimentos em curso está a criar, só em Viana do Castelo, mais de 1800 postos de trabalho e um investimento superior a 180 milhões de euros. Na Galiza, as exportações do sector representam 32 por cento das exportações de Espanha e a produção de veículos representa mais de 15 por cento de toda a produção nacional. São 20.800 empregos, 12 por cento do emprego industrial da Galiza, mais de oito milhões de euros em faturação, ou seja, 14% do PIB.

Estes números são extraordinários e colocam novos desafios de cooperação regional em diversos sectores: em primeiro lugar, na formação profissional e nos Centros de Conhecimento, porque temos ótimas escolas, mas temos que criar condições para que haja uma articulação e um redireccionamento dos cursos para aquilo que são as necessidades de emprego atualmente, que mudou muito e, em segundo lugar, porque é necessário investir no conhecimento, criando instrumentos que permitam cooperação entre unidades fabris e os seus centros de desenvolvimento com as nossas universidades e politécnicos, para que se criem aqui protocolos de cooperação e possamos fixar na região centros de desenvolvimento nos domínios do design do automóvel, de algumas instalações e de tudo que tem a ver com este importante cluster.

Este é o principal desígnio, o de criar parcerias entre o conhecimento e o tecido empresarial e social, para que haja oportunidades novas e capacidade de atração no território, um dos nossos grandes desafios para o futuro. O futuro está no desenvolvimento de competências, no acrescentar valor e ter centros de desenvolvimento em vários domínios, onde os centros podem ser a rampa de lançamento para o desenvolvimento da Ibéria.