O Eixo Atlântico alerta para o calor extremo, com um aumento da mortalidade que pode chegar aos 60% em cidades da Galiza e do Norte de Portugal
O relatório inclui exemplos de boas práticas municipais para integrar a saúde e a sustentabilidade no espaço público. Descarregue o relatório aqui
O Eixo Atlântico apresentou o relatório “Planeamento do espaço público urbano para a melhoria da saúde humana e ambiental”, dirigido por Francesc Cárdenas, diretor da Agência de Ecologia Urbana do Eixo Atlântico e ex-chefe de Planeamento da Agência de Ecologia Urbana de Barcelona. O documento analisa a situação das cidades do Eixo Atlântico e propõe estratégias para integrar a saúde em todos os processos de planeamento urbano e territorial, com especial atenção ao desenho do espaço público. 
O estudo alerta para os efeitos do calor extremo na Galiza e no Norte de Portugal, revelando que cidades como o Porto, Viana do Castelo, Ourense, Braga, Guimarães e Lugo registaram um excesso de mortalidade entre 50% e 60% durante os recentes episódios de altas temperaturas. Perante esta situação, o relatório recomenda fomentar a “cultura do calor”, que inclui cidades adaptadas, refúgios climáticos e planos de ação contra as ondas de calor, bem como a implementação de normas mais rigorosas de qualidade do ar e controlo do ruído para melhorar a saúde ambiental e humana.
Boas práticas municipais
O relatório inclui 19 fichas de referência e exemplos concretos de boas práticas nos municípios do Eixo Atlântico, demonstrando como o urbanismo pode combinar-se com a natureza e o bem-estar dos cidadãos. Entre as iniciativas destacadas encontram-se:
- Guimarães: Projeto participativo Palácio da Imaginação.
- Pontevedra: Caminhos escolares seguros e promoção da autonomia infantil.
- A Coruña: Corredores ecológicos urbanos e microespaços verdes.
- Ourense: Rotas termais saudáveis e um plano de cidade arborizada.
- Braga: Programas comunitários BragaHabit.
- Bragança: Parque Temático da Trajinha.
- Carballo: Rede de vias ciclo-pedonais Cicl-ando.
- Culleredo: Corredores verdes e renaturalização urbana (Culleredo Vive Verde).
- Gondomar: Programas de saúde, promoção do desporto e da cultura ao ar livre.
- Deputación de Lugo: Programa de percursos pedonais seguros em municípios rurais.
- Ourense: Rotas Termais Saudáveis e Ourense, Cidade Arborizada.
- Vigo: Via Verde de Vigo (transformação de uma antiga via férrea em corredor pedonal-ciclista) e Alcabre Verde.
- Vilalba: Passeio fluvial e literário “Paseo dos Soños” (Rio Madalena).
- Viana do Castelo: Reflorestação e criação de "Ilhas de Sombra".
- Porto: Parque Central da Asprela.
O documento realça que o planeamento urbano condiciona diretamente a saúde através de fatores socioeconómicos e ambientais, e destaca a necessidade de uma mudança cultural na forma de planear as cidades, integrando biodiversidade e espaços públicos.
Câmara Municipal de Guimarães: Palácio da Imaginação
O relatório foi apresentado na Câmara Municipal de Guimarães, um dos municípios de referência em políticas urbanas inovadoras e planeamento participativo do espaço público no Eixo Atlântico.
O projeto "Palácio da Imaginação", no bairro da Emboladoura (Freguesia de Gondar), surge com o objetivo de cocriar um espaço público multifuncional e intergeracional que fortaleça o sentido de pertença e empodere a comunidade do bairro da Emboladoura. A iniciativa procura transformar a vulnerabilidade social e urbana num motor de mudança positiva através de atividades culturais, educativas e lúdicas.
O seu desenho assenta num processo de cocriação aberto e contínuo com os residentes, seguindo quatro eixos: fomentar o diálogo, apropriar-se do bairro, transformar criativamente o ambiente e ativar a participação e o bem-estar. Os moradores, de todas as idades, participam tanto na conceção como na definição das atividades, tornando-se sujeitos e protagonistas do espaço público abrangido.
O projeto responde à vulnerabilidade socioespacial, criando espaços que estimulam a convivência, reduzem o isolamento e promovem o sentido de comunidade. Neste sentido, Guimarães destaca-se como uma referência por desenvolver projetos que valorizam territórios vulneráveis, demonstrando como o planeamento urbano participativo pode melhorar a saúde, a coesão social e a qualidade de vida.