25 anos
Artigo conjunto do Presidente e do Vice-presidente do Eixo Atlântico, Ricardo Rio e Alfredo Rodríguez, nos 25 anos do Eixo Atlântico
Há quem diga que fazer anos não é bom. Do que estamos seguros é que não os fazer é muito pior. A vida das organizações não segue a escala temporal das pessoas. Se os avanços da medicina e das condições de vida no primeiro mundo situam a esperança média de vida em torno dos 83 anos, a crise económica e uma insuficiente cultura cooperativa, bem como um défice de governança nas relações entre os cidadãos e o poder político, conduzida geralmente através deste tipo de organizações, situaram a vida média das mesmas abaixo dos 25 anos.
Por isso é uma satisfação muito especial comemorar os 25 anos de vida do Eixo Atlântico, uma entidade que continua a ser a mais antiga da Europa no seu âmbito da cooperação transfronteiriça.
Com alguma frequência, no passado, perguntavam: mas, para que serve o Eixo Atlântico? A cultura administrativa ibérica só introduziu a planificação estratégica nos últimos 50 anos, o que na escala a que nos referimos, é muito pouco tempo. A vida das cidades, especialmente com o tsunami que a crise pressupôs, apenas deixa tempo para pensar no seu desenvolvimento num horizonte temporal adequado. Construir a cidade entre todos, de forma participativa e criativa é algo que pouco a pouco temos vindo a conseguir com experiências muito positivas, como por exemplo os orçamentos participativos, os conselhos setoriais de participação cidadã, e por aí adiante num etecetera progressivamente vasto.
Mas este processo de construção individual precisa de um nível superior de cooperação, que permita pensar e planificar em conjunto. Mais ainda se somos um conjunto contínuo e compacto de cidades num território e constituímos um Sistema Urbano. E ao pertencer a duas regiões de dois países em que cada vez mais construímos vida em comum, adquirimos na transfronteiralidade um valor acrescentado que se traduz em mais massa crítica, e portanto em mais serviços e mais oportunidades de captar investimento. Isto denomina-se Arquitetura Estratégica.
E isto é, precisamente, o que é e o que tem vindo a fazer o Eixo Atlântico nestes 25 anos. Um instrumento de arquitetura estratégica que estrutura o Sistema Urbano da Euro-região Galiza-Norte de Portugal, à qual cada vez com mais frequência se denomina Euro-região do Eixo Atlântico.
25 anos desenvolvendo uma estratégia dupla, de lobby na consecução dos investimentos necessários para o desenvolvimento e de agência de desenvolvimento euro-regional, em tanto quanto gere atividade económica e massa crítica desde as competências de âmbito municipal.
Assim, acreditamos sinceramente que temos motivos suficientes para nos sentirmos legitimamente orgulhosos destes 25 anos, de ter chegado até aqui e de o ter feito de uma forma honesta, solidária e muito satisfatória. E, obviamente, desejamos – e para tal trabalharemos – que tenhamos oportunidade de celebrar os próximos 25.