Ricardo Rio mostra-se perplexo com a dissonância que existe entre os governos de Portugal e de Espanha no que se refere à abertura das fronteiras. Presidente do Eixo Atlântico não percebe a decisão do executivo português em esperar por 1 de Julho.
É com “perplexidade” que Ricardo Rio encara a “dissonância” entre os dois governos da Península Ibérica no que respeita à reabertura das fronteiras.
Ricardo Rio, que preside ao Eixo Atlântico, confessa não perceber “a fundamentação” do Governo português para sustentar a manutenção do encerramento das fronteiras, isto quando Espanha já anunciou que antecipou para 21 de Junho a reabertura de fronteiras com todos os países do Espaço Schengen, excepto Portugal.
O Governo português mantém a reabertura das fronteiras para o dia 1 de Julho, momento que ficará marcado por uma cerimónia, a realizar na fronteira entre Caia e Badajoz, em que vão participar o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o rei Felipe VI, e os primeiros-ministros português, António Costa, e espanhol, Pedro Sánchez.
O presidente do Eixo Atlântico questiona as fundamentações da decisão do Governo português, sobretudo numa altura em que as localidades transfronteiriças se mostram desesperadas com as consequências económicas e sociais do encerramento das fronteiras.
“Acho que para lá da questão turística, que obviamente é importante, mas que mais ou menos uma semana não fará diferença significativa, o mais importante é mesma a relação de proximidade, diria mesmo de continuidade, que existe nos territórios transfronteiriços”, alertou o presidente do eixo Atlântico, em declarações ao Correio do Minho.
Devido à pandemia de Covid-19, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha foram encerradas às 23 horas do dia 16 de Março, ficando abertos apenas com nove pontos de passagem terrestre exclusivamente destinados ao transporte de mercadorias e a trabalhadores transfronteiriços. No Minho, o único ponto de passagem era a ponte nova sobre o rio Minho, que liga as cidades de Valença e Tui.
Nas últimas semanas, autarcas do Alto Minho e da Galiza, concretamente das zonas transfronteiriças, têm-se desdobrado em apelos para a reabertura das fronteiras sobretudo para os trabalhadores transfronteiriços que até agora se viam obrigados a percorrer centenas de quilómetros para ir trabalhar diariamente.
Ontem reabriram finalmente mais quatro pontos de passagem na fronteira, três deles no distrito de Viana do Castelo: Melgaço, Monção e Vila Nova de Cerveira. Fechada permanece a fronteira da Madalena, em Lindoso, o que já motivou a contestação do edil de Ponte da Barca.
A abertura de novos postos de fronteira terrestres foi assinalado na ponte que liga Melgaço a Arbo, na Galiza, onde autarcas minhotos e galegos deixaram reivindicações.