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O secretário-geral do Eixo Atlântico lamenta que os OE fraturem a Euro-região

O secretário-geral do Eixo Atlântico lamenta que os OE fraturem a Euro-região

Contrasta com o apoio do governo de Portugal para a Região Norte

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Vázquez Mao, manifestou a sua profunda deceção e mal-estar pelo impacto “muito negativo” que os Orçamentos de Estado (OE) terão para vertebrar a euro-região Norte de Portugal - Galiza e a sua consequente perda de competitividade no cenário europeu, num momento em que a Europa está a apoiar e a promover tanto as euro-regiões, como as macro-regiões que desempenharão um papel determinante nas próximas distribuições de fundos europeus.

Estes orçamentos, afirma, não contemplam nem um único euro para a saída Sul de Vigo (caminho de ferro) o que, além disso, retira massa crítica à sustentabilidade do AVE galego que continuará a não poder ser o AVE do Norte de Portugal.

Em contrapartida, o governo de Portugal além da eletrificação e modernização da Linha do Minho até Valença, que já se encontra em execução e com a previsão de estar concluída no primeiro trimestre de 2020, integrou no Plano Nacional de Investimentos (PNI) a ligação ferroviária da citada Linha do Minho com o aeroporto Francisco Sá Carneiro e a construção em Vila Nova de Famalicão do maior terminal ferroviário de carga da Península, assinado ontem pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas de Portugal, Pedro Marques.

O citado PNI contempla melhorias substanciais para o porto de Viana do Castelo, com 90 milhões de euros para o converter não só num grande terminal de carga, mas também, num destino prioritário de cruzeiros. Por seu lado, o porto de Leixões (Matosinhos) receberá investimentos no valor de 379 milhões de euros para aumentar a sua capacidade operativa.

A visão estratégica e a aposta na região Norte e na Euro-região por parte do governo de Portugal, contrasta com o tratamento da Galiza por parte do governo de Espanha, que se reflete claramente nos números do tráfego de portos e aeroportos e dos investimentos em novas indústrias.

Esta situação enquadra-se no debilitamento generalizado da franja atlântica ibérica, frente à mediterrânea, com uma elevada taxa de despovoamento, o que leva a uma situação de alerta vermelho no crescimento demográfico. Além disso, a ausência de investimentos em linhas ferroviárias obsoletas, como estamos a ver reiteradamente no caso da Extremadura, e uma falta de ligações de transportes com Portugal, limitam as possibilidades de crescimento da parte espanhola da fachada atlântica.

Neste sentido, Xoan Vázquez Mao recorda que é urgente expor publicamente o Estudo Informativo da Saída Sul ferroviária de Vigo para poder incluir a obra nos OE de 2020, obra que pode obter um financiamento europeu de 50%.

O Secretário-Geral do Eixo Atlântico recorda que a responsabilidade da aprovação ou modificação dos OE é dos deputados do Parlamento espanhol, aos quais faz um apelo para que defendam os interesses da Galiza e, portanto, forcem o governo a desbloquear a Saída Sul de Vigo, proposta que foi aprovada por unanimidade dos 35 entidades e municípios que integram o Eixo Atlântico.