As cidades do Eixo Atlântico apresentaram, no Seminário de Intercâmbio de Experiências, as suas propostas inovadoras no âmbito da educação
No passado dia 27 de setembro, realizou-se no Museu da Oliveira e do Azeite, em Mirandela, o VI Seminário de Intercâmbio de Experiências de Educação, juntando mais de meia centena de responsáveis e técnicos municipais das cidades do Eixo Atlântico
A sessão de abertura ficou a cargo da Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Júlia Rodrigues, que agradeceu a realização do seminário na sua cidade e a participação ativa dos membros do Eixo Atlântico numa atividade com um tema tão importante como a educação que tem impactos diretos no desenvolvimento dos territórios. Também deu nota que os territórios mais pequenos e isolados tem desafios muito particulares e, no caso dos municípios portugueses, os desafios foram aumentados com a transferência de competências na área da educação. A presidente do Grupo Temático de Educação e Cultura, Adelina Pinto, apoiou as palavras da autarca de Mirandela, acrescentando que a educação é uma ferramenta para o combate às alterações climáticas e que apesar de os desafios que enfrentamos exigirem ações diferentes há uma resistência na sua concretização. Por fim, referiu que hoje lê-se menos, utiliza-se mais a informação visual direta e, portanto, um há um menor estímulo intelectual, o que levou a que, pela primeira vez desde que há registo, o QI dos mais jovens diminuiu em relação às gerações anteriores.
A sessão, estruturada em três painéis, contou com apresentações de projetos educativos de oito municípios do norte de Portugal e da Galiza. No primeiro painel, o Município de Mirandela deu a conhecer o “Projeto Educativo Inovar+”, que promove o acesso, muitas vezes difícil nas zonas mais rurais e de maior dispersão territorial, a um conjunto de atividades e experiências para os alunos quando estes se encontram no ambiente escolar. O Município de Valongo, partilhou a sua experiência de “Intervenção Universal na Promoção da Leitura e da Autorregulação da Escrita”, com as atividades que permitem fomentar e desenvolver a leitura e a escrita de forma interativa e motivada a alunos do pré-escolar e primária. Por sua vez, o Município de Barcelos apresentou o projeto “RISEe – Rede de Inovação, Sucesso Educativo e Equidade”, com um cariz preventivo, visando trabalhar com os alunos desde tenra idade para que tenham um maior aproveitamento escolar e assim diminuir futuras eventuais necessidades de apoios individuais e personalizados.
No segundo painel, Vila Real apresentou o projeto “Oficinas Pedagógicas”, que promove oficinas de atividades, como por exemplo, xadrez, música, ioga, a determinados grupos de alunos, em que cada aluno pode escolher duas oficinas diferentes no início de cada ano. O Município de Braga partilhou com os participantes a experiência do “Ensino de Mandarim no 2º ciclo”, projeto que visa o

ensino da língua e da cultura chinesas. Devido à crescente procura, foram aumentados os níveis de ensino e uma visita à China para conhecerem a cultura, através de atividades culturais e contacto com o ambiente educativo local.
No último painel, o Concello do Barco de Valdeorras apresentou o projeto “Encontros Família-Escola para a comunidade educativa. Outra forma de educar é possível”, onde destacaram a necessidade de nestes territórios pequenos envolverem associações com a preocupação, entre outras, de acolher e integrar na sociedade jovens que, por algum motivo, não se encontravam escolarizados. O Município de Santa Maria da Feira partilhou a experiência da “Construção participada do Plano Estratégico Educativo Municipal 2030”, explicando a forma como o mesmo foi desenvolvido, os atores que fizeram parte do processo e os desafios com os quais se depararam, acompanhados das soluções encontradas, ajustáveis aos desafios da vida atual e futura. Por último, o Município de Guimarães partilhou o seu projeto “Pausas Letivas com Inclusão” revelando as dificuldades que as famílias têm em garantir um conjunto de atividades durante as pausas letivas para os alunos autistas e com multideficiência. Apesar de não ser para muitos alunos, esta iniciativa tem um impacto muito forte na dinâmica familiar porque dá resposta a pais que se viam impossibilitados de trabalhar durante as pausas letivas.
Da parte da tarde, o município de Mirandela levou os participantes a conhecer a Ecoteca, um equipamento multidisciplinar que permite a realização de exposições de arte, espaços de cowork e alberga a Porta de Entrada de Mirandela do Parque Natural Regional do Vale do Tua. Neste espaço é possível descobrir a natureza e tradições, numa ótica de preservação e valorização dos recursos naturais, culturais e patrimoniais de uma forma interativa, através de ecrãs tácteis, jogos e experiências 3D.
Programa cofinanciado pelo Interreg Espanha-Portugal (POCTEP) 2021-2027
