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Sempre por uma Europa unida

Sempre por uma Europa unida

Artigo de opinião de Paulo Monteiro, diretor do Correio do Minho, sobre o futuro da Europa

“Os povos da Europa, estabelecendo entre si uma união cada vez mais estreita, decidiram partilhar um futuro de paz, assente em valores comuns.

Consciente do seu património espiritual e moral, a União baseia-   -se nos valores indivisíveis e universais da dignidade do ser humano, da liberdade, da igualdade e da solidariedade; assenta nos princípios da democracia e do Estado de direito. Ao instituir a cidadania da União e ao criar um espaço de liberdade, segurança e justiça, coloca o ser humano no cerne da sua acção.”

Estes os dois primeiros parágrafos do Preâmbulo da ‘Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia”, datada de 12 de Dezembro de 2007 e assinada em Estrasburgo.

A história tem sempre um primeiro objectivo: Paz. E sempre a partir deste objectivo a trabalhar em prol da Paz, desde a sua criação a 25 de Março de 1957. É este o ponto mais importante da nossa União Europeia.

Antes começo desde já por defender os meus interesses: sou europeísta convicto e lutarei por uma Europa federalista onde todos seremos um dia iguais. É difícil? Claro que é. Mas também a paz era difícil e desde o fim da II Guerra Mundial e a criação da União Europeia que vivemos em... paz!

E a história da União está sempre recheada desses reforços...

A 25 de Março de 2017 os chefes de Estado e de Governo dos 27 países da União Europeia - faltou o Reino Unido ausente por estar de saída ?!... - assinaram a Declaração de Roma, 60 anos depois de Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo terem assinado no mesmo local o documento que viria a dar origem ao que é hoje a União Europeia.

“Construímos uma União única, com valores fortes e instituições comuns, uma comunidade de paz, liberdade, democracia, direitos humanos e Estado de Direito, uma grande potencia económica com níveis sem paralelo de protecção social e prosperidade”... esta a frase que se encontra na declaração assinada por todos os chefes de Estado e de Governo. Todos se sentem orgulhosos de pertencer a esta União que se quer cada vez mais forte e unida e é para isso que se comprometem trabalhar cada vez mais.

E pergunto: é melhor estarmos isolados ou estarmos unidos? Claro que pertencer à União Europeia é o melhor que nos podia ter acontecido. E não falamos só para nós (nesta altura recebemos mais de 11 milhões de euros/dia dos cofres europeus e foi a UE a grande responsável pelas infraestruturas que temos hoje no nosso país... estradas, escolas, hospitais, saneamento, etc, etc...).

Mas a União Europeia é muito mais do que isto...

É na União Europeia que se produz a maior riqueza mundial (PIB).

Numa Europa unida que conta com cerca de 500 milhões de cidadãos (7,1% da população mundial)... 50% das despesas sociais em todo o mundo é da nossa responsabilidade, da responsabilidade da União Europeia.

E, às vezes, quando dizemos mal dos outros porque são mais ricos do que nós... eles mostram a sua solidariedade. A Alemanha mostrou recentemente com a crise dos refugiados. A Alemanha que é juntamente com a França responsáveis por cerca de 37% do orçamento da União Europeia e no que toca a garantias esses Estados garantem 50%. São, ou não, solidários?

Todos unidos, todos juntos, queremos uma União mais forte, ainda mais solidária e onde todos possamos viver em paz, democracia  e com dignidade.

E isso só é possível aqui. Nesta União que enche de inveja muitos outros continentes e muitos outros povos que todos os dias nos procuram para aqui viver, longe da guerra e da miséria...

Uma União que não sendo um projeto perfeito é, na minha opinião, o menos imperfeito de qualquer projeto alguma vez criado. Que tem melhores e piores momentos como cada um de nós, mas tem a capacidade de pensar a 27 “cabeças” e no interesse de muitos e muitos milhões de cidadãos. 2017 parece ser o ano da mudança! Depois de vários anos difíceis (desde a crise de 2008) nos últimos dois anos, o crescimento na União Europeia tem superado o dos Estados Unidos. Atinge agora mais de 2% para o conjunto da União e 2,2% para a área monetária. O desemprego atingiu o nível mais baixo dos últimos nove anos. Os défices públicos passaram de 6,6% para 1,6%, graças a uma aplicação inteligente do Pacto de Estabilidade e Crescimento. No entanto 2018 não se afigura fácil, temos a vontade de regionalização da Catalunha, as negociações do Brexit, o grave problema da migração, os extremismos a crescer que prometem abalar este estado de paz e solidariedade, entre outros... 2018 será também o ano estratégico para reforçar a agenda europeia em matéria de comércio, tornar indústria mais forte e mais competitiva com a uma nova estratégia em matéria de política industrial, de reforçar a liderança na luta contra as alterações climáticas que perante a falta de ambição demonstrada pelos Estados Unidos, cabe à Europa «restabelecer a grandeza do nosso planeta», criar uma Agência da União Europeia para a Cibersegurança de forma a proteger melhor os cidadãos europeus na atual era digital e não esquecer, em momento algum, os problemas da migração.

Esta União é “um projeto muito mais vasto do que um mero mercado único. É muito mais do que o dinheiro, do que uma moeda, do que o euro. Foi sempre uma questão de valores.” Começa na nossa rua, na nossa cidade, no nosso país. E em outras uniões como a do Norte de Portugal e da Galiza. Como o trabalho desenvolvido em prol dessa união onde o Eixo Atlântico tem feito um trabalho exemplar.

São estes bons exemplos e destes bons exemplos que nós precisamos. Todos os dias. Todos Unidos. Todos pela paz.

Viva a União Europeia!