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“Fa(c)tos de papel"

“Fa(c)tos de papel"

Artigo do Presidente do Eixo Atlântico e Presidente da Câmara Municipal de Braga

A discussão em torno dos méritos dos paraísos fiscais tem provocado uma ampla celeuma nos meios políticos, financeiros e económicos, capaz de ultrapassar as fronteiras estritas das ideologias. Ao mérito destes regimes enquanto forma de atrair investimento e criar condições de maior competitividade para as empresas, contrapõem-se as potenciais práticas ilícitas associadas a modelos no mínimo pouco transparentes e vagamente escrutinados como os principais problemas dos ditos “offshores”. Nos dias que se seguem à divulgação mundial do tratamento jornalístico dado a uma mega-fuga de informação visando centenas de personalidades de topo à escala global e inúmeras empresas e instituições, a dúvida prevalece: mesmo que nem todos os casos visados envolvam práticas ilegais, devemos pactuar com as múltiplas situações de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal que continuam a ser desenvolvidas de forma impune? É que, a esta luz, até os mais malfeitores de entre os nossos banqueiros, os mais distraídos dos supervisores e os mais agiotas dos processos de “salvação” bancária parecem meras costureiras à beira dos alfaiates do Panamá.”

Ricardo Rio