A Estratégia de Desenvolvimento Económico da Maia
Artigo de Paulo Ramalho, Vereador do Desenvolvimento Económico e das Relações Internacionais da Câmara Municipal da Maia
Até ao final dos anos 70, do século passado, o município da Maia era um território pouco desenvolvido, predominantemente rural e com um tecido empresarial de reduzida dimensão. E segundo os censos de 1981, possuía naquela altura pouco mais de 81.500 habitantes. Sendo um município, do ponto de vista económico, pouco relevante para a região.
Fruto de um forte investimento em infra-estruturas, e designadamente de uma estratégia inteligente de ordenamento do território, que possibilitou a criação de espaços especialmente destinados a receber instalações vocacionadas para a actividade empresarial produtiva dos sectores secundário e terciário (as então denominadas “zonas industriais”, agora “áreas de acolhimento empresarial”), que não conflituassem com o bem-estar da população residente, e devidamente alimentados por uma rede viária capaz, a Maia é hoje um dos municípios de maior potencial e atractividade económica do país. E com presença assídua no Top 20 dos municípios mais desenvolvidos do território nacional.
Com um tecido empresarial de grande dimensão, que ocupa cerca de 10% do seu território, e muito diversificado, que vai desde a indústria pesada, à transformadora e tecnológica, ao comércio por grosso e a retalho, aos serviços, à distribuição e à logística, a Maia é nesta altura o município mais exportador da Área Metropolitana do Porto, o 2º da Região Norte e o 5º a nível nacional, com um valor global que se cifrou em 2015, segundo dados do INE, de € 1.291.866.637. Registando um crescimento de 18,9% entre 2013 e 2015, enquanto em igual período, a Região Norte cresceu 12,3%, a Área Metropolitana do Porto 9,9% e o país, apenas 5,3%. Sendo a actividade económica deste concelho actualmente responsável por quase 4% do PIB nacional.
E de acordo com um ranking construído pela “Bloom Consulting”, recentemente tornado público, a Maia ocupará nesta altura o 5º lugar a nível nacional, no que concerne à dimensão “Negócios/Investimento”, logo a seguir a Lisboa, Porto, Braga e Oeiras.
Daí que o tecido empresarial tem sido um actor principal no desenvolvimento do território da Maia, durante os últimos 40 anos. O que se constata desde logo pela relação directa entre a evolução da população e o crescimento do número e dimensão das empresas que escolheram este município para aí desenvolverem a sua actividade durante o mesmo período. De tal forma que a Maia conta hoje com cerca de 15.000 empresas instaladas no seu território e com uma população na ordem dos 135.000 habitantes. Tendo sido o município da Área Metropolitana do Porto que mais cresceu nas últimas décadas. Cerca de 60% entre 1981 e 2011, segundo dados fornecidos pelos Censos oficiais. Sendo de notar que o número de postos de trabalho oferecidos pelo tecido empresarial da Maia é já similar à população activa residente no município.
E não podemos olvidar a importância do contributo que anualmente o tecido empresarial instalado no território da Maia presta às receitas fiscais do município. Em 2016, só a “derrama” atingiu um valor na ordem dos € 7.959.000, superior ao de 2015, que se fixou pelos € 6.365.000.
Mas se a qualidade e dimensão das infra-estruturas disponibilizadas pelo território foram e são importantes para receber e fixar investimentos empresariais, a verdade é que não são por si só suficientes, face à competição que se assiste diariamente no terreno pela captação de investimentos que produzam riqueza e postos de trabalho. E a Maia até se encontra numa situação algo privilegiada, tendo em consideração a sua localização geográfica, a 5 minutos do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, a 10 minutos do Porto de Leixões e no centro dos principais eixos rodoviários e ferroviários da região.
Sendo que a competição entre territórios não se faz hoje apenas a nível local ou nacional. E no plano internacional, já não se faz apenas a nível de países ou de regiões, mas também a nível das cidades e dos municípios.
Razão pela qual é necessário afirmar um novo compromisso entre a autarquia e as empresas, assente numa maior cooperação e co-responsabilidade, que permita uma regulação mais transparente e eficaz, mas que também acrescente mais valor, sustentabilidade e competitividade à gestão e desenvolvimento dos interesses públicos e privados do território.
E foi com este espirito que a Câmara da Maia em 2010 reforçou a sua relação de cooperação e parceria com a Associação Empresarial da Maia, enquanto entidade representativa dos interesses do tecido empresarial do concelho, e em 2013 criou a estrutura municipal de apoio ao empresário “Maiainvest” (hoje denominada de “MaiaGo”). Estrutura esta, que para além de ter por missão a promoção da imagem da Maia e das potencialidades do seu território, das suas empresas e instituições, no plano nacional e internacional, em parceria com a estrutura de relações externas da Câmara Municipal, tem também como competências a captação de investimentos que aportem valor à vida do território do município, bem como o acompanhamento dos empresários no seu processo de decisão e instalação na Maia.
Mas um outro desafio se coloca hoje à gestão municipal, com forte impacto na estratégia de desenvolvimento económico local. A de mobilizar todos os actores do território para, de forma integrada, participarem na discussão e definição dessa estratégia, desde as empresas às instituições do ensino superior, aos sindicatos e instituições de solidariedade social. Daí que o próximo passo será a constituição de um “Conselho Económico e Social Municipal”, que albergue todos os principais actores do território e se afirme como uma estrutura privilegiada de discussão e consulta do poder político local em matérias económicas e sociais especialmente relevantes para o município.