A modernização da Linha do Minho, entre Nine e Valença/Fronteira
Artigo da Direção de Gestão de Empreendimentos sobre a linha de Comboio do Minho
A Modernização da Linha do Minho é um dos projetos prioritários definidos no Programa Ferrovia 2020 que pretende privilegiar os investimentos que contribuam para o aumento da competitividade da economia, designadamente, reduzindo custos de contexto das exportações nacionais e, consequentemente, fomentado o crescimento da atividade económica, a empregabilidade e o desenvolvimento do tecido empresarial português.
A Linha do Minho, em funcionamento desde o final do século XIX, faz parte integrante da região do Minho. Desenvolve-se na direção norte-sul, entre a estação de Porto Campanhã e Valença do Minho paralelamente ao litoral.
A região é servida por boas infraestruturas logísticas, como o aeroporto do Porto, Vigo e Santiago de Compostela e os portos de Leixões, de Viana do Castelo e Vigo, assim como de importantes acessibilidades, nomeadamente a A3, autoestrada do Minho (Porto - Valença), a A28, autoestrada do Litoral Norte (Porto - Caminha), a A27 (Viana do Castelo - Ponte de Lima) e o IC28 (Ponte de Lima - Ponte da Barca).
A Linha do Minho atravessa áreas de cariz alternadamente urbano e rural onde o povoamento disperso é predominante. A via desenvolve-se em territórios aplanados evitando as áreas de hipsometria mais elevada onde seria difícil vencer os desníveis sem recorrer a obras de arte de grande envergadura, de execução difícil à época da sua construção (segunda metade do século XIX).
Objetivos e descrição geral dos trabalhos
A Modernização da Linha do Minho tem como principal objetivo a criação de condições para tornar o transporte ferroviário mais competitivo na ligação a Espanha e nas ligações inter-regionais do grande Porto com o Minho litoral, através da melhoria das condições de operação da linha e de segurança, com redução dos tempos de percurso e custos operacionais, como resposta ao potencial crescimento de procura nas relações do norte de Portugal com a Galiza, assegurando ainda, simultaneamente, a melhoria da qualidade do serviço, traduzida em pontualidade e fiabilidade do horário e redução da sinistralidade nos atravessamentos de nível.
Em termos gerais, a modernização visa:
- Reduzir o tempo de trajeto, em consequência da utilização de comboios de tração elétrica e da eliminação da rotura de carga em Nine.
- Aumentar a eficiência e atratividade do transporte ferroviário de mercadorias, ao permitir a circulação de comboios de mercadorias com 750 m de comprimento;
- Aumentar a capacidade da Linha do Minho para o triplo da atual: de 15 comboios de 300 m por dia para 20 comboios de 750 m;
- Aumento da segurança e da fiabilidade da exploração ferroviária, em resultado da Instalação de novo sistema de sinalização e telecomunicações;
- Aumento da segurança ferroviária e rodoviária, em resultado da supressão e automatização de passagens de nível e construção de desnivelamentos.
Consiste fundamentalmente na eletrificação entre Nine e Valença/Fronteira, concretamente entre o pk 39+400 e o pk 131+449, numa extensão aproximada de 92 km em via única, cuja construção está a ser desenvolvida em duas empreitadas, designadamente, a primeira no troço entre Nine e Viana do Castelo e a segunda no troço entre Viana do Castelo e Valença, tendo já sido iniciada a correspondente ao primeiro troço. Nestas empreitadas, incluem-se ainda intervenções em túneis e pontes, estações e apeadeiros. Esta eletrificação será ainda executada até à futura zona de separação de sistemas, ao pk 131+835, em que se fará a ligação futura à infraestrutura de catenária da empresa congénere ADIF, de Espanha.
Faz também parte da modernização uma empreitada autónoma de conceção/construção, também já em curso, da nova Subestação de Tração Elétrica e dos Postos Autotransformadores necessários à eletrificação da Linha do Minho.
Ainda no âmbito desta modernização, os troços Nine-Viana do Castelo e Viana do Castelo-Valença/Fronteira, atualmente dotados de sinalização mecânica e eletromecânica em algumas estações, serão dotados de sinalização eletrónica comandada por duas novas estações de concentração a localizar na Estação de Viana do Castelo, e incluído o seu telecomando no CCO do Porto. Será ainda dotado de controlo automático de velocidade (ATP) de novos sistemas de telecomunicações incluindo comunicações móveis GSM-R e telecomando de catenária. Serão ainda automatizadas passagens de níveis e de atravessamentos pedonais existentes e integradas as passagens de níveis já automatizadas nos novos sistemas de sinalização.
Foram já executadas obras de supressão de algumas passagens de nível e construção de desnivelamentos, no concelho de Barcelos, estando ainda prevista a reavaliação dos riscos e soluções para a concretização de eliminação de outras passagens de nível existentes.
Principais condicionalismos na execução dos trabalhos
A existência de uma linha em exploração ferroviária e com estações e apeadeiros em funcionamento constitui a principal condicionante para a execução dos trabalhos, uma vez que a execução dos mesmos resulta do facto destes terem de ser executados, quer sobre a linha em exploração, quer em zonas muito próximas desta. Nestas condições, os trabalhos a executar exigirão especiais cuidados de segurança e de garantia da integridade/proteção da infraestrutura ferroviária existente.
Assim, e porque é imperioso manter em exploração a Linha do Minho com um horário fiável e sustentado, a realização dos trabalhos desta empreitada só podem ser executados durante períodos de tempo limitados, maioritariamente em período noturno, o que torna a construção deste empreendimento ainda mais exigente.
Calendário e Investimento global
De acordo com os objetivos definidos para este empreendimento, prevê-se a conclusão dos trabalhos da Modernização da Linha do Minho em 2019, totalizando assim um investimento global de cerca de 83 milhões de euros, em que cerca de 70% deste valor será suportado por fundos comunitários do programa Portugal 2020.
Por fim, importa salientar que as intervenções previstas estão alinhadas com o objetivo nacional de reforço estratégico da ligação ferroviária Porto-Vigo, reafirmado na Cimeira Luso-Espanhola realizada em maio passado.
Autores do artigo: Luís Silva Marques, António Mota e Fernando Martins.